“O último lance, o penalty, devorou um jogo em que o Sporting alternativo não encontrou o seu modelo. Na raça estratégica, o Santa esteve melhor”
Foram dois bons jogos devorados por um lance de arbitragem que faz cada vez mais turvar (e adulterar) a visão do futebol que se joga nas nossas competições.
O surreal lance que esteve no microscópio do VAR e do próprio árbitro confuso com uma imagem ainda mais confusa, parou o jogo nos Açores durante um quarto de hora. No fim, o Sporting empatou pela frieza de Luís Suarez que conseguiu abstrair-se daquilo tudo e bateu o penalty de forma técnica-mentalmente perfeita. Até lá, ele próprio, ponta-de-lança que joga e faz jogar (olha primeiro para a equipa antes da baliza) não estava a conseguir desde ver… a sua própria equipa.
O regresso do duende
O Sporting estranhou -se o jogo todo. Tinha ausências importantes (Pote, Catamo, Quenda…), o adversário Santa Clara fez dos seus melhores jogos da época, e até aquele relvado revolto onde a bola pula como um coelho, tornaram o confronto mais ao jeito do onze de Vasco Matos que não tem conseguido reproduzir a mesma mecanização de jogo, sobretudo na ligação meio-campo/ataque (no contra-ataque) da época passada.
Neste jogo, ironicamente, seguindo esta comparação, regressava à titularidade o jogador que mais gosto de ver inventar nesse futebol mas que por razões além-talento tem ficado de fora. O duende Gabriel Silva. Cumprindo esse futebol de “doces e travessuras”, marcou um golo daqueles que mordem a moral dos defesas porque desviou no Gonçalo Inácio (numa exibição adormecida, como de toda a defesa leonina) e matou o guarda-redes.
Sem fazer um grande jogo (mas o mais competente como estratégia), o Santa estava melhor e com a eliminatória na mão.
O Sporting adulterado
Rui Borges procurara reciclar o sistema com Maxi de “pé trocado” a fazer o lado direito mas sentiu-se mais a sua falta no seu flanco natural, o esquerdo e vindo de trás (ao contrário de tão adiantado num 4x2x3x1 com bola) do que neste, improvisado, no flanco oposto. A equipa perdeu as asas.
Na esquerda, com Matheus Reis sem ritmo preso à relva, vê-se que Alison é um jogador irreverente para entrar no decorrer dos jogos (com estes mais “partidos”) mas tem menos espaço e impacto a entrar de inicio.
Neste contexto, o funcionamento da máquina/modelo de jogo leonino encravou e entrou no território alternativo da luta (a raça) mas que coloca a equipa dita superior no mesmo plano da inferior (que nestes jogos cresce exatamente nesse ponto).
Valeu João Simões, na primeira-parte, para explicar melhor o jogo e, claro, Hjulmand, o tempo todo, até nos subterrâneos do jogo. Ele é a alma espiritual da equipa com duas pernas e olhos esbugalhados.
Cruel ver os jogadores do Santa no fim (após prolongamento em inferioridade numérica). Deram muito ao jogo e voltaram a não receber nada. Pode, olhando a época, ser o ponto de inversão exibicional para níveis mais altos. O resto é o futebol português .





