O futebol-polar do Bodo-Glimt e o lado exótico do Qarabag. De Camilo Durán a Hogh
Em Baku, onde o futebol europeu já quase perde-se de vista, o Qarabag é como um intruso na elite da Champions. Aquela vitória na Luz, logo na primeira jornada, não foi um simples relâmpago do Azerbaijão. Ali está mesmo uma boa equipa que, feita de jogadores meramente terrenos, está perto de entrar no play-off” com um ponta-de-lança que, na época passada, estava na nossa II Liga, no Portimonense: Camilo Duran.
É mais um produto da fábrica de bons nº9 colombianos. Sem requintes técnicos, alto e esguio, 23 anos, sabe estar no local certo, jogar em apoios curtos de costas usando o corpo e surgir bem na área, oportuno, a finalizar. Os dois golos que fez a Eintracht (virando o resultado) mostraram bem esse estilo.
O onze do Quarabag

É o onze mais estabilizado da competição. .Joga quase sempre o mesmo e uma alteração resultou da lesão do médio brasileiro Kady Borges. Para o seu lugar, jogando solto atrás de Duran, chegou do Rayo Vallecano, o espanhol Joni Montiel, canhoto, num esquema de 4x2x3x1 com duplo-pivot seguro por Pedro Bicalho e a qualidade de posse e passe de Jankovic.
Nas faixas, olhem o lateral-esquerdo azeri, Cafarquliyev, e, na direita, a conexão brasileira-cabo verdiana, com Mateus Silva (lateral) e Leandro (ala que passou do Olhanense ao Fátima). Uma equipa treinada há 18 anos (desde 2008) por Gurban Gorbanov que já a orienta de olhos fechados. Tem o gigante central Kevin Medina (vindo há seis anos do Chaves) a mandar na defesa.
No estilo, uma ideia de posse mas que sabe recuar a defender em 4x5x1 com o meio-campo bem posicionado a fechar o meio e os extremos a apoiar os laterais. Depois, com bola, a qualidade do passe apoiado e busca rápida da profundidade para combinar na frente. É o estilo enigmático do Qarabag.
Bodo-Glimt, o “futebol polar”

É a maior força de futebol-iceberg do circulo polar arico: o Bodo-Glimt. Venceu o City congelando a “posse guardioliana” com um estilo mais directo mas que além poder físico nórdico também tem técnica, sobretudo quando Hauge (falso-ala feito segundo-avançado, regressado de Milão e Frankfurt) pega na bola e abre horizontes de último passe, numa zona entrelinhas dum 4x3x3 que tem Blomberg no outro flanco a servir um ponta-de-lança forte e oportuno, com remate fácil de primeira: Hogh, a abominavelnº9 das neves.
É este o 4x3x3 da máquina de gelo futebolístico de Knutsen, um treinador que percebe na perfeição este estilo de “futebol polar”. No meio-campo, um trio de segundas bolas (com os interiores Evjen-Fet) e um pivot que solta bem a bola e fecha logo (o experiente Berg).
Com a defesa sem abanar posicionalmente, jogando no seu pequeno estádio de piso sintético, as temperaturas negativas fizeram mais uma grande noite do clube mais a norte que a Europa habituou-se a conhecer. É o admirável mundo gelado do Bodo-Glimt





