A pressão cor-de-rosa

A força deste FC Porto está no rápido entendimento do que o treinador pede e do que os jogadores são capazes de fazer”

A cor das camisolas poderia sugerir algo mais terno mas os jogadores não incorporam nova pele. Mantiveram a que o treinador lhes colou desde inicio da época e assim o “FC Porto Farioliano” manteve intactos os ditames da pressão e do pressing (sim, são coisas diferentes, do estacionar alto do bloco na saída adversária até à atitude dos jogadores em cair em cima do espaço quando os adversários querem jogar logo desde trás).

Nesse encurtamentos, do campo (com linhas juntas) e do tempo para o adversário respirar com bola (tirando-lhe espaço para isso), o onze portista cedo construiu lances de golo.

Marcou dois e tomou conta do relvado ao Rio Ave que buscar crescer no seu 4x3x3 de intenção apoiada na primeira fase de construção mas que não tem ainda pilares de organização defensiva para o fazer sem abanar mal perde a bola quando tenta adiantar-se um pouco.

O “lateral interior”

Os laterais a jogar “por dentro” é um hábito em muitas equipas mas é tacticamente mais vincado quando é feito por um médio de raiz (jogador de corredor central) nesse lugar. Pablo Rosário é um jogador do treinador (que antes, no anterior clube, até o usava desde central) no sentido de se entenderem desde outras paragens táticas.

Com esse conhecimento mútuo pode ser essa espécie nova de “lateral interior com bola”. Mais do que no inicio de construção, tal nota-se na forma como faz esse movimento diagonal desde a entrada do meio-campo adversário. Nesse principio de jogo, mete-se como médio de ruptura.  

Foi isso que permitiu, na segunda-parte, passar o mesmo jogador, Rosário, de lateral (entrou Zaidu) para médio-centro (com missão de, como Varela, recuar em organização defensiva para junto dos centrais). Neste principio, já era “médio defesa” (tal como foi, depois, Eustáquio, no seu lugar).

O sistema não estranhou nenhuma das opções.

O que se pede, o que se faz

O critério com que Pepê se move é um manual de como deve um jogador falar com os espaços. Tudo tem uma intenção. Perde a bola demais? Por vezes, sim, mas isso só sucede porque é que mais arrisca com ela a ir para espaços cobertos ou a arriscar o melhor passe que, tantas vezes, é o mais difícil.

Foi como aquele que (após movimento em diagonal nos últimos 30 metros) fez a bola levitar sobre a linha defensiva vilacondense e mete-la nos pés da técnica de Gabri Veiga (a arte da recepção e remate do 0-3)

Muita da força deste FC Porto está no rápido entendimento do que o treinador pede e do que os jogadores são capazes de fazer.

É nessa união, ideias do treinador-potencialidades do jogador, posição por posição, que este FC Porto é hoje, ao contrário da época passada, uma equipa completa no plano tático-técnico. O resto são as incidências de cada jogo mas sempre com plena consciência tática coletiva.

A pressão, mesmo em cor-de-rosa, foi, por isso, igualmente forte e competitiva.

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