Podem imaginá-lo em velocidade mas onde ele mostra mesmo como joga é quando abranda e define
Parece futebol em projeção acelerada. um estilo “chaplinesco” para um jogador de ginga africana guineense que cresceu na Academia do Manchester City. Aos 21anos, Carlos Forbs, após entrar no futebol adulto-profissional pela porta solta e ofensiva do jogo holandês no Ajax, está a mostrar em Brugge, uma das equipas da chamada gama média-alta do futebol europeu mais bem trabalhadas em termos de política desportiva-financeira ao longo das últimas épocas. Por isso, mete-se no cenário de Champions sem receio de…. querer jogar bem. O resultado, depois, vê-se.
O técnico Nicky Hayden tem um 4x2x3x1 organizado e compacto na ligação entre sectores (gerido pelo duplo pivot Onyedika-Stankovic) com o catedrático Vanaken a distribuir o último passe como um “10” atrás do ponta-de-lança Tresoldi e extremos de perfil distinto, o velocista de Forbs e o temporizador de passe de Tziolis.
O natural é ver Fotbs desde a direita, puxando para o pé esquerdo, mas os traços do seu futebol têm uma amplitude periférica muito maior. Pode jogar (ou melhor, aparecer) pelos três corredores do ataque ativando a velocidade na profundidade, o “poder de explosão” que pode meter finta em progressão, mas, depois, no momento de finalizar tem a subtileza da pausa e dar os toques mais doces na bola, como nessa “cavadinha” que fez a Ter Stegen a ver a bola passar mansamente tão perto da sua enorme luva mas sem lhe conseguir tocar tal a medida cirúrgica do remate-toque de Forbs.
A primeira tentação é imaginar o seu futuro como mais um extremo de esticões em contra-ataque. É demasiado redutor para o que vemos fazer também quando os espaços encurtam. Ele encontra sempre uma saída e joga também em busca do passe e da triangulação. Podem, portanto, imaginá-lo sempre em velocidade que quando ele mostra mesmo como é jogador é quando abranda, faz a pausa, e define com classe. A velocidade da luz parada.
Newcastle o gigante Burn

Newcastle voltou a viver uma grande noite europeia. É a que, confesso, me faz mais recordar os velhos tempos porque tem um defesa, Burn, que devia pela morfologia gigante e esguia ser central mas é lateral-esquerdo, meio desengonçado mas que vai a todas as bolas de cabeça mesmo com dureza de rins e contra o Ath. Bilbao apareceu no momento certo na área a fazer um golo. Ele saiu claramente dos anos 70 numa máquina do tempo.
Podia jogar perfeitamente da mesma forma num terreno enlameado desse tempo e nem ter os dentes da frente como era, dizia Shankly, a melhor forma de reconhecer na rua um defesa-central ou avançado-centro quando passassem por um sem saber.
O onze basco de Valverde tem boas ideias de jogo mas falta-lhe a este nível capacidade para aguentar os momentos mais difíceis do jogo (agravado neste jogo por várias ausências). Unai gomes surgiu no centro do ataque e tentou fugir às marcações mas ele é mais segundo-avançado. Fica para S. Mamés, a dimensão Champions.
A nova Atalanta de Juric

A Atalanta pós-Gasperini reinventa-se com Juric, Continua com o sistema de defesa a “3” e calou Marselha com um jogo de marcações apertadas e saídas em apoios rápidos onde a dupla de médios-centro Edrson e De Roon já jogam de memória. Na frente. mete em “cunha” como nº9 a agressividade de Krstovic e tenta insistir em fazer de e Ketelaere uma espécie de segundo avançado-centro que arranca desde a meia-direita.
Neste contexto de 3x4x2x1, é Lookmann o maior perigo público sempre que arranca com a bola. Juric não quer, no entanto, tanta anarquia e talvez por isso acabou por substitui-lo provocando uma reação do jogador contra o treinador nese momento. O carácter também se demonstra de outras formas.
Lookman é visto mais um velocista “zig-zag” que seria num futebol de outros tempo só extremo mas que no presente também pode, como o nosso novo herói Forbs, invadir os três corredores do ataque rumo à baliza com o mesmo poder ameaçador.





