As trocas/rotação de Farioli e Rui Borges Até que ponto se pode trocar peças de uma máquina sem que ela se ressinta no seu funcionamento?
Até que ponto se pode trocar peças de uma máquina sem que ela se ressinta no seu funcionamento?
Penso como isso pode explicar exibições de Sporting e FC Porto numa altura em que a época atingiu um ponto em que, com tantos jogos seguidos (Campeonato, Taças e Europa) a capacidade tático-física de aguentar e/ou gerir os onze metidos nessa roldana competitiva, é um factor decisivo para as equipas.
Há momentos quando substituir algumas peças do onze base são quase “trocas diretas” que não abalam a rotação da máquina. O FC Porto de Farioli tinha conseguido, até esta jornada, fazer essa rotação sem fendas, em concreto entre Varela-Rosário. Martin- Costa, Gabri-Mora, Borja-William e agora até nos centrais-laterais entre Thiago Silva e Kiwior-Moura.
Contra o Casa Pia, foi mais longe e mexeu em peças que não eram habituais nessa rotatividade, sobretudo quando tirou o motor do centro do jogo, Froholdt, para o qual não tem essa “troca direta” (embora contra o Rangers, em que findou com a dupla Varela-Rosário, já dissera que essa troca era possível). Escolheu o pior jogo para o fazer, entre os três (Gil Vicente-Rangers-Casa Pia) deste ciclo competitivo antes do clássico. Devia tê-lo feito contra o Rangers e não neste (pelas suas características, terreno e exigência).
Ficou cedo a perder num jogo em que o território de estilo (mais conflituoso, de duelos/bolas divididas) fugia aos traços de bola no pé e pedia mais dimensão atlética.
Até este jogo, o mexer das peças de Farioli tinha deixado sempre a máquina intocável até porque tem um modelo de jogo e estrutura diferente do Sporting, onde Rui Borges quando quer fazer essas trocas diretas na sua estrutura-base já sente, face à maior variabilidade posicional, a máquina a abanar mais.
Sentiu-se contra o Nacional. Nos centrais (sem a qualidade de passe de Inácio) e no ataque (sem as movimentações de ruptura de Trincão). O processo de jogo construtivo desde trás e desequilibrador na frente sentiu a falta dessas peças.
Moral tático da história: Não são possíveis trocas diretas quando o impacto da “tática individual” de cada uma delas no coletivo é superior ao que se lhes pede em comparação com as feitas dentro duma “tática mais mecanizada”.
Até esta jornada, o FC Porto nunca tinha falhado esse cálculo mecânico que o seu modelo permite mais que o do Sporting,
Vasco Matos e o Santa Clara

Ganhar um lugar na história como o melhor treinador de sempre do clube mas no mesmo dia deixar de ter lugar no seu banco. Sucedeu com Vasco Matos no Santa Clara. O seu olhar fechado, afundado no banco, enquanto a equipa, em mais uma exibição irregular, perdia em casa com o Estoril, denunciava já esse estranho fim de ciclo.
A equipa tem hoje (no 1xº lugar) o mesmo modelo de jogo da época passada (em que fez 5º lugar) mas perdeu a eficácia dos seus princípios de jogo, sobretudo defensivos. O bloco coeso que era a defender, a “5” com apoio dos médios partiu-se e nem a tentativa de fazer o meio-campo a “3” consegui-o resgatá-lo. O ataque também perdeu a inspiração mas aí vejo mais uma questão individual (por razões várias, a dupla Vinícius-Gabriel Silva desafinou). Física e tacticamente desgastado (após pré-época longa com três pré-eliminatórias europeias) o onze açoriano, entrou em depressão exibicional. Ficou uma equipa em “piloto automático” sem rasgo em muitos jogos, mesmo quando esteve melhor.
Fica a sensação que a causa para esta quebra ultrapassou o tal treinador que conseguiu lugar na história. Em síntese, faltou-lhe a capacidade de se reinventar.
Acontece, neste nível. a muitas (boas) equipas duma época para a outra.





