As porcelanas de Gabri

“Gul jogou/lutou bem desde a faixa mas num contexto tático de jogo interior, o relvado era para Gabri e suas porcelanas de técnica a cada bola”

Os jogos europeus não são um laboratório mas neste, contra o Nice, Farioli aproveitou para enfiar Denis Gul dento dum “tubo de ensaio posicional” numa opção que ele já tinha dito de ser possível para o conciliar no mesmo onze com Samu sem ser obrigatoriamente numa dupla de pontas-de-lança ou 4x4x2.

A ideia alternativa era colocá-lo sobre meia-esquerda, não como ala, mas vindo duma posição em largura para depois aparecer por dentro em diagonais sem bola. Em posse, ganharia mais a segunda-bola ou lutaria pela primeira em jogo longo. Ou seja, o jogo associativo por essa faixa desaparecia para se tornar mais direto e físico.

No outo flanco, mantinha-se o jogo de apoios e de movimento interior com bola de Pepê.

Desapareciam os extremos (como Borja) mas mantinha-se o jogo forte pelos flancos mas de forma diferente. É verdade que mantinham-se as subidas dos laterais mais as rupturas desde trás passam a ser essencialmente de corredor central/interior.

A ideia de pressão roubada

Foi assim que um movimento de ruptura sem bola Froholdt foi buscar um passe meio-longo à frente e que Pepê fez a tal combinação interior para nascerem dois golos, ambos assinados pela “pena técnica” de Gabri Veiga, o nº10 de criatividade de invasão de espaços, a aparecer ou rasgar.

Duas finalizações precisas nascidas desse penetração, o chamado “inserimento”, que vem de trás e desmonta, abre fendas, nas muralhas defensivas adversárias, neste caso uma francesa montada numa linha de “5” com três centrais.

Em tese, esperava-se uma equipa de Nice com intenção de pressão mais alta como é habitual fazer mas, seja por estratégia, seja por incapacidade, a equipa nunca o que conseguiu fazer. O FC Porto roubou-lhe a ideia cm um bloco subido desde a primeira jogada (que deu golo no primeiro minuto) e tomou conta desse “timing pressionante” do jogo e todo campo.

De Gul a Gabri

Da exibição de Gul, os maiores aplausos da bancada vieram mais de ações de esforço (atrás de todas as bolas, nunca dando nenhuma por perdida) do que de movimentações tático-técnicas. É natural. Os seus traços de jogador são para outros espaços/territórios de jogo.

É um nº9 puro de atacar bolas, mesmo as mais difíceis, para as transformar em bolas de golo. Torna passes mordidos ou despejados em assistências de golo na estatística. Na faixa, está sempre à procura de como sair de lá para ir para a área.

Jogou/lutou bem mas neste contexto tático de jogo interior, o relvado era para Gabri. Controlo de bola com camadas de confiança acrescida em cima das suas porcelanas de técnica a cada bola que tocava.

O seu futebol tem raiz de organizador mas, à medida que vai entrando mais nas jogadas, ele sente que tem de ser cada vez mais finalizador. Passa a ser também dono da “zona de definição” e resolve o jogo.

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