Bem-vindos à História!

No futebol, diz a história, o “impossível” é só um pouco mais difícil de conseguir. Se há alguém que sabe bem isso, para o bem ou para o mal, era aquele homem que saltava debaixo de chuva copiosa agarrado a um apanha-bolas após o seu guarda-redes marcar um golo decisivo de cabeça na última bola do jogo.

O “Mourinho cinematográfico” voltou no estado mais puro e revoltado num jogo para a história. Desde a conferência de antevisão quando falou como “surpreende ver que há grandes clubes com treinadores sem experiência” (Arbeloa encaixou) e no tal lance do último instante (um livre lateral) em que mandou subir o guarda-redes gigante e deixou só o defesa pequenino lá atrás.

No fim, ainda disse que nunca mais voltou ao Bernabeú desde que de lá saiu em 2013 mas estava para voltar e a ir ver um jogo quando… o Benfica lhe telefonou. Tudo Moutinho em estado puro.

Veremos o que será daqui até final da época, com os tais estilhaços da diferença pontual no campeonato (e eliminação das Taças) mas é nestes jogos que se formam as lendas para a história. E, nesse território, o ego e alter-ego de “Mou” está na sua casa.

O respeito tático

Antes do seu “show individual” o merecido olhar de respeito… tático para como a equipa jogou onde também houve o respeito de meter os melhores talentos individuais-diferenciadores na frente, soltos desde as alas, o duende oxigenado Prestianni e o “aviãozinho de papel” virão “boeing” Schjelderup, com Sudakov no espaço onde gosta e produz mais, no meio, vindo de trás e jogando entrelinhas nas costas do ponta-de-lança.

Com a “casa de máquinas” do meio-campo entregue a uma dupla, Aursnes-Barreiro, de alta intensidade e visão (de jogo e pressão), também soltou um lateral a voar na direita, Dédic, sobre o flanco esquerdo espanhol esburacado porque sem voz de autoridade desde o banco, há agora no onze, jogadores que puramente não defendem.

Ou seja, nem mexem um músculo para recuar quando se perde a bola (Vinícius., Mbappé e, por contágio, Bellingham). No tal lance do livre lateral final (estando a equipa reduzida a nove) só quatro jogadores disputaram a bola contra oito do Benfica! Surreal. 

O Pote em Bilbao

O último segundo, o último lance, também fez ganhar o Sporting em Bilbao. Foi o estranho “herói das noites europeias” a marcar, Alisson, lançado poucos minutos antes. O golpe tático já sucedera, porém, antes com uma “ficha tripla” de substituições que metera em campo Quaresma, Morita e… Pote! Rui Borges soube aguentar e resistir. 

O jogo em que durante tanto tempo custara a sair desde trás (perante a pressão furiosa basca) passou a encontrar ponto de respiração nos pés dum jogador que não só joga bem como faz automaticamente todos os outros (a equipa, afinal) jogar melhor: o Pote e seu “arco-íris” onde no fim existe um tesouro de bom futebol.

Bem-vindos aos locais onde se faz história!

/Nota: FOTO: Francisco Cunha / X

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