As novas Cinderelas: Capeta (quase) Éder

Futebol e “novas Cinderelas”

Foi uma semana diferente das outras. Daquelas que, confesso, provocam sensações novas e outras estranhas. Nunca é tarde para descobrir formas de nos emocionarmos. Na vida, e no futebol, também. Por isso senti esse estranho (porque não estava a contar) impulso interior, incontrolável e de arrepio, quando, de repente, a Ana Capeta foi quase Éder. O jogo estava a acabar e parecia impossível marcar quando aquela bola foi parar à frente da avançada com nome de quem vem de outro mundo. O remate saiu e no caminho deu então para sentir o “impossível”.

A seleção feminina tinha perfurado os nossos corações, mesmo daqueles que o olham ainda com desconfiança ancestral. Segundos de eternidade até a bola, ser caprichoso com vontade própria, bater no poste e… ir embora sem entrar. Depois da primeira imagem, com as lágrimas e grito da Tatiana e da Jéssica, à flor da pela durante o hino no jogo inaugural, aquilo já era futebol mesmo, contra a melhor seleção do mundo, os ditos invencíveis EUA.

Capeta foi quase Éder. Ao contrário de Paris, aquela bola na longínqua Nova Zelândia bateu no poste. Não entrou. Entraria, porém, algo mais forte. Senti isso. A sensação que, como na voz de James Brown, isto pode ser um mundo de homens mas nunca seria nada sem uma mulher ou rapariga. No futebol é igual. Nas chuteiras das “novas Cinderelas”.      

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