“A falta de agressividade posicional a defender dos jogadores benfiquistas é arrepiante; Mora não é jogador de clareiras, é para “campos de minas”.
Em trinta minutos a equipa desligou. Mais uma vez, comida pelos nervos, ficou quase paralisada numa transição defensiva após Rios perder incrivelmente a bola para o pequeno Nhaga com tranças e então o Casa Pia arrancar para a área encarnada com quatro-cinco jogadores.
A falta de agressividade posicional a defender dos jogadores benfiquistas nesse momento é arrepiante. Paralisados de receio, só Trubin tocou na bola sem força e ainda a colocou mais a jeito para os gansos empatarem um jogo que já nem imaginavam poder discutir desde há muito.
Mesmo nessa meia-hora, além do penalty surreal, essa fora a única vez que criavam verdadeiro perigo mas no momento tático-mental que está este Benfica, só isso parece um monstro de sete cabeças com o qual não consegue lidar.

Mas não, era só a pequeno onze do Casa Pia que passara a semana após despedir o treinador a tentar arrumar a casa e entrara na Luz só com a preocupação de, como disse Gonçalo Brandão, “ir aguentando e pressionar quando conseguisse”. Bastou um cheirinho da segunda intenção para fazer do 2-0 um 2-2. Incrível.
O Benfica tinha feito um belo golo (combinação Pavlidis-Sudakov) mas nada disso contagia a equipa que não sabe como potenciar uma asa potencialmente perigosa com Dedic-Lukebakio. Em vez de combinarem, atropelam-se (e bastou aos gansos passar para esse lado o aguerrido Larrázabal, habitual lateral-direito, para esse flanco ficar encravado).
A definição da pressão bem feita por Froholdt foi o ponto de partida para, em Famalicão, surgir o FC Porto “comedor de espaços em pressão alta”. Farioli voltou a apostar em Mora e desta vez, com o onze famalicense demasiado atrás bloco-baixo, médio-baixo) encontrou o melhor cenário de espaços entrelinhas para mostrar os seus recursos tecnicistas.
Parece contraditório mas mostram-se mais quando tem de sair de marcações apetadas, do que com muito espaço aberto para correr ou decidir (como contra o Braga) mas menos manobras de arrastamentos de marcações por outros avançados perto, mesmo que no meio dum bosque de tantos defesas adversários.
Mora não é jogador de clareiras, é talento para “campos de minas”.
Depois entrou Gabri e guardou a vantagem que, nos momentos de ir atrás dela teve a melhor expressão veloz para abaliza um lateral-esquerdo que cresce física-tacticamente: Moura. Foi o catalisador-referência para fazer correr a equipa da forma mais certa.





