“Um jogo-tático que é um jogo de receios. Risco zero. O Sporting perdeu a hipótese de ganhar o jogo na primeira meia-hora”
Chamam-lhe “jogo tático” mas, em rigor, quando tal sucede, é mais um “jogo de receios”.
O Benfica excessivamente na expectativa. Nem se tratava de ter o bloco muito baixo mas sim de olhar estático para o jogo, e consequentemente para o adversário, como “objecto de estudo tático”.
Num ápice, isso deu a bola ao tricot de posse do Sporting. Assumindo o protagonismo concedido, subiu as suas linhas para cima do bloco encarnado que tentava se compactar para ganhar confiança com os jogadores mais pertos uns dos outros.
Ouvia-se, porém, as batidas cardíacas aceleradas de todos. Numa saída a jogar, expôs-se ao erro e como que fez um “auto-golo tático”. Enzo recebeu de costas, rodou mal, Hjulmand roubou, Pote encostou.
A forma como Mourinho logo tentou puxar pela raça da equipa batia no “outro lado do jogo”, o dos posicionamentos leoninos de marcações individuais, com o seu duplo-pivot (Hjulmand-Morita) a apanhar os dois médios benfiquistas (Enzo-Rios) ficando Fresneda para ir mais dentro e apanhar Sudakov. Ficava Barreiro à procura do espaço entrelinhas.
O passe acima do jogo
Em busca dos encaixes dos sistemas (no papel, ambos em 4x2x3x1) imaginava-se mais Trincão a fazer esse desequilíbrio entrelinhas mas ao querer fazer a saída em “3×2” com os centrais e Morita, tal obrigava Pote a recuar. Nesse movimento, o Sporting perdeu o controlo total do meio-campo e bastou um passe de Rios (entre lateral e central adversários) como melhor mensagem de bom futebol para o movimento de ruptura de Dedic abrir a defesa leonina e surgir o empate.
Um lance que mudou o jogo na cabeça dos jogadores e teve o “transfer” tático de equilibrar o posicionamento dos blocos.
O Sporting perdera o “timing” de ganhar o jogo na primeira meia-hora em que esteve à vontade em campo com a bola. Deixou o Benfica voltar à vida pela raça, a técnica de passe de Rios e a tática das linhas juntas.
Sem ponta de riscos
Nenhuma equipa quis correr o risco de aumentar a velocidade de jogo. Ambas, mesmo quando se sentiam (tenuamente) por cima, recearam subir o ritmo, procurando antes controlá-lo em posses mais lentas.
Por vezes, um melhor passe fazia correr mais…. a bola mas os jogadores, esses, queriam sobretudo manter posições. Como vissem o relvado em papel quadriculado. Sem erros, tinham tempo para se reordenarem defensivamente pós-perda da bola.
Mourinho sente que nesta fase e num contexto de jogo grande, não pode ser este seu atual Benfica a assumir esse rasgo de agitação táctica. Rui Borges hesitou até que o tentou com as entradas de João Simões (assumir mais duelos) e Quenda, o tal factor de mais velocidade que, mesmo individualmente, podia marcar a diferença. Prestiani foi a resposta encarnada na parte final.
Ambos tinham a expectativa duma jogada para ganhar o jogo. É demasiado curto para um jogo destes. Ninguém arriscou, ninguém pecou. Derby de risco zero.






