“Revoluções no futebol são um livro fechado. Deve permanecer o poder de criar impactos. Mudar o método, não o conteúdo”
A primeira intervenção para marcar um “statement” sobre a tese de que a sua carreira não se parte em duas.
Não existem “dois Mourinhos”. O que revolucionou o futebol e ganhou tudo desde o inicio do milénio, e o que deixou de ser essa trituradora de títulos e saiu do radar dos maiores clubes do mundo.
Na essência, o “homem” que entretanto ficou com cabelo todo branco, é o mesmo. Mudou o que em vinte e cinco anos era impossível travar: tudo em seu redor. Aquilo que o tempo implacavelmente provoca.
A geração do “jogador-instagram” de 2025 é muito diferente do “velho jogador de cartas” de 2005. A liderança pede novas formas de comunicação para criar grupo. No campo, o poder de estudo, treino e observação estendeu-se a todas as equipas técnicas. Já não é possível revolucionar a este níveis como nesse tempo.
Isso obriga a mudar a forma de criar impactos. Ser capaz de dar sempre respostas diferentes dos outros aos maiores desafios.
A atualização do software tático e de comunicação até ao poder estratégico acima duma identidade de jogo. Ambos necessitam hoje dum maior poder de inovação porque as revoluções no futebol são atualmente um “livro fechado”. Não acredito que se reabram nos próximas décadas.
Tottenham, Roma e Fernerbahce não são Chelsea, Inter ou Real Madrid. Nem este Benfica pode ser comparado ao FC Porto em que pegou.
Mourinho não é um treinador do “velho testamento” porque ele escreveu o novo (e abriu caminho a outros profetas) a partir do seu poder de criar impactos quando entrava em qualquer clube. É o método que deve ter esse upgrade não o conteúdo.
O Benfica pode ser, nesta fase da carreira, um clube ideal para fazer isso. Dirão que não o apanha na melhor altura mas isso não existe no futebol. Nunca gostei da frase de que “o futebol é o momento”. O futebol é saber entender os momentos e provocá-los.
O nosso futebol necessita de treinadores destes. Pela história que têm e pelo que trazem dentro hoje.
A chave é saber usar todo esse saber acumulado nestes tempo disfuncional que vivemos no qual se quer partir o que as pessoas são em duas em função das épocas em que vivem, ganham ou perdem. Só conseguindo combater isso é possível voltar a ganhar. Como antes.





