Fabregas: O “grande lago de futebol” do Como

As melhores mensagens de futebol além dos resultados.

 

 

As melhores mensagens de futebol além dos resultados. Cresceu nas escolas do Barcelona e fez a universidade do futebol tornando-se no aluno-professor do estilo de jogo feito do toque-passe no mais belo Arsenal de Wenger que revolucionou estilisticamente o futebol inglês.

 

Com essas bases, Cesc Fabregas já era treinador antes de o ser. Por isso, quando o convidaram para ser treinador do Como, onde findou a carreira a jogar na Série B, já tinha todos os manuais de como jogar bem na sua mente mas para assumir o banco necessitou, enquanto terminava o curso, do apoio de Osian Roberts, um técnico galês que assumiu o comando principal da equipa enquanto ele congeminava na sombra o modelo jogo do Como que iria, nesse estilo de passes e futebol com bola de pé para pé, subir à Serie A do Calcio.

 

Atingido esse estatuto, assumiu a equipa principal com diploma de bom futebol tirado (em tese e na prática) com a bola como um n.º6 de construção em La Masia.

 

Hoje comanda uma das melhores equipas do futebol italiano no campeonato das ideias de jogo (traduzido num estranho atual 13ºlugar na classificação mas que busca sempre manter-se fiel à filosofia dum jogo construtivo com bola, buscando em mercados de nível financeiro acessível, jogadores para jogar esse jogo).

 

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O Como tem investimento indonésio (Grupo Djarum) e, com isso, conseguiu reforçar-se neste ultimo mercado de inverno contratando dois laterais (o sérvio Smolcic, vindo do Rijeka, e o espanhol Álex Valle, 20 anos, da cantera do Barça).

 

Com eles, Fabregas resgatou o que necessitava para poder voltar a desenhar, a partir do 4x3x3 só com um pivot (o argentino de toque-passe-visão Perrone, 22 anos. feito no Vélez e propriedade do City de Guardiola) a sua ideia de jogo (em relação à qual cedera ao montar durante alguns jogos uma defesa de três centrais para a proteger de derrapar na tabela).

 

Nesta fase, resgatando interpretes para jogar como pretende, sem ambicionar lugares de topo na classificação mas um reconhecimento de como jogar bem, o seu Como volta a respirar bom futebol.

 

 

No controlo da casa de máquinas de Perrone, dois médios reinventados por Fabregas à luz dessa ideologia, com o francês Caqueret a conduzir a bola e Lucas da Cunha como médio de três linhas.  Com este trio no meio-campo, o seu 4x3x3 volta a ter a propriedade da bola e soltar depois um ataque de criatividade associativa, onde o “pibe” argentino Nico Paz pode ser um “falso 9” (em vez do possante Cutrone) e ter uma dupla de segundos-avançados que surgem, de fora para dentro, com Trerfezza desde a direita e Assane Diao, apenas 19 anos, tombado do berço do Bétis, espanhol de ascendência senegalesa, a inventarem jogadas de bom futebol.

 

Não existe, portanto, revoluções em termos de sistema mas em vez das sentenças do encaixe “ao homem” a sua equipa passou a soltar-se com referências zonais para jogar o seu futebol sem ter o adversário como condicionante da sua ideia de jogo.

 

 

Cesc Fabregas tem apenas 37 anos e o diploma de treinador há só um ano mas cativa por todas as suas mensagens de futebol sem perder a noção de grupo (a quem pagou no balneário uma viagem de férias a Ibiza após o jogo da subida).

 

Esse vídeo ficou viral nestes novos tempos das redes, mas para quem gosta mesmo de bom futebol é a forma da equipa jogar que ganha seguidores. A seu lado tem Thierry Henry, conselheiro do grupo acionista do clube, com quem partilhou balneário naquele Arsenal de toque de Wenger,.

 

Fabregas sempre foi um talento precoce a ler o jogo como jogador. Nada mais natural, portanto, fazer o mesmo agora como treinador mesclando ensinamentos de Wenger e Guardiola-escola Barça, na qual sentiu que tinha de sair porque na mesma geração aparecia um tal de Xavi para lhe ocupar o lugar com Iniesta.

 

Agora, mostra a sua sabedoria teórica de futebol como treinador num dos locais mais belos do mundo e da “bota da Europa”, nas bermas de um lago imenso e aos pés dos Alpes, a maravilha de Como.

Ver um jogo seu é ir às bases do que faz o melhor futebol europeu pensado das ultimas décadas.