Martinez –Ronaldo: A relação perfeita

                                                                                        

Quando chegou, a primeira viagem de Martinez foi a Arábia Saudita. A missão era falar com Ronaldo. O capitão da seleção saíra amarfanhado do Mundial e estava revoltado.

Martinez aceitara ser selecionador de Portugal porque também aceitara ser o “treinador diplomata” que ia restabelecer a relação Ronaldo -Seleção. Tal só seria possível devolvendo-lhe o papel de protagonista e não convencê-lo que o seu tempo tinha passado.

Neste cenário, Ronaldo voltou a ser titular, a só ser substituído quando fosse de mútuo acordo ou sentisse estar no limite físico.

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Além das criticas, Martinez cumpriu a normalidade dos apuramentos e Ronaldo jogou sempre (mesmo no Euro-24).

Muitas vezes, as suas exibições tornaram-se fantasmagóricas mas, mortífero na área, continuou a marcar golos agora como “n.º9 fixo”.   

Entretanto, outros jogadores cresceram de estatuto e deixaram de sentir obrigação de passar-lhe sempre a bola. Isso melhorou a equipa como coletivo (maquilhando o menor rendimento de Ronaldo).

O jogo da equipa ajustou-se a ele, e ele também ajustou-se para estar nos locais no momento certo e marcar. Quando sente o limite físico, senta-se no relvado e sai.

Chegou a fase final da Liga das Nações e sabia-se que Martinez estava por um fio. Perder o torneio ditaria a sua saída por mais absurda que fosse a razão contra Alemanha, França e Espanha  

Durante semanas a fio, os responsáveis deixaram correr a versão correr e Martinez foi cozinhado em lume brando mesmo com contrato até ao Mundial-26, o último de Ronaldo com 41 anos em busca do título inédito.

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Foi então que Ronaldo se lembrou de quem o resgatou na altura em que todos o questionaram até ir para o banco e, de forma implacável, devolveu-lhe o mesmo respeito que tivera com ele quando chegou .

Antes do jogo decisivo, saiu em sua defesa. Disse estar a seu lado  (como todo o grupo) e chamou papagaios a quem dizia ele ter os dias contados. Dessa forma, desarmou qualquer ideia de despedimento. Depois, em campo, a equipa deu tudo, anulou a Espanha, Ronaldo marcou e Portugal conquistou o título.

Martinez passava de “despedido anunciado” a indiscutível. O presidente da Federação dedicou -lhe o título e, ao abraça-lo, todos pressentimos de que matéria é feito este submundo do futebol.

Imagino o que Ronaldo terá pensado a ver essa imagens.

Podem até criticar as suas exibições em campo, mas, na conferência de imprensa antes do jogo, fizera uma das suas melhores da carreira. Puxou dos galões e colocou-se ao lado de Martinez. Defendeu-o e segurou-o. Quem ouviu percebeu a mensagem. 40 anos dum jogador acima de simples mortais.

Se, no início, Martinez resgatou a Ronaldo, agora, Ronaldo segurou Martinez. Resta seguir até ao Mundial 2026. Com Martinez e Ronaldo juntos (atrás, toda a corte que teve de alagar rapidamente a fogueira).

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