A Taça da Liga como um caminho alternativo do FC Porto. Desde sempre. Por diferentes razões. Só uma vez no Museu e já quando se tornara um enigma. Este ano, o mesmo olhar desconfiado. Uma equipa quase toda de segundas linhas num dia em que os grandes até defenderam que o melhor era isto acabar.
O futebol português já não sabe o que fazer com os seus quadros competitivos. Quer inventar formatos de campeonato quando o problema está na base social que se perdeu nas grandes cidades em relação aos clubes históricos (de Coimbra a Setúbal, por exemplo, passando por outros locais).
Crescem os clubes “in vitro”, sem adeptos, até sem estádio próprio e, em alguns casos, sem tradição. Apenas investidores beduínos.
Enquanto não resolverem esse problema estrutural (após a venda de ilusões das SAD que só serviu o “futebol dos negócios” e nunca o social dos adeptos) mudar a forma das provas será só como varrer o lixo para baixo do tapete.
Mexer no onze, perder equilíbrio
Farioli usou o jogo para gerir o onze titular dar tempo de jogo a jogadores em busca de oportunidades para se mostrarem. Um 4x3x3 tão alternativo no qual muito do onze viera da equipa B, lançando o truculento Alarcón desde a faixa e o extremo Karamoh transformado como n.º9 de ataque à profundidade. O golo cedo trouxe as lágrimas de Gabri Veiga que se assustou com o que sentiu no joelho após rematar.
A equipa entrou bem (fez 1-0) mas não tinha a habitual “cola compacta” do meio-campo. Perdia a bola e perdia posições atrás da linha da… bola. A segunda-parte com a fórmula-Mora, para ir atrás do resultado, expôs mais esse momento pós-perda e levou assim com o segundo golo.
Do outro lado, estava um onze vimaranense completo que sobreviveu a um inicio em que estranhou a equipa com que o FC Porto entrara. Quando percebeu o que tinha pela frente, acertou posições, encaixes, percebeu que seria melhor ficar mais na espectativa do que subir porque, com aquelas mexidas, o onze portista mexera demais com os seus equilíbrios de transição defensiva.
O horizonte em andamento
Aos poucos, Farioli foi repondo o onze titular em campo mas essa equipa, apanhando o jogo em andamento, já não estava programada para jogar como faria de inicio nos parâmetros táticos normais.
O Vitória soube recuar sem perder o horizonte do contra-ataque. Nessa altura já tinha percebido o que o fazer num jogo descaracterizado pelos avanços e recuos da estratégia alternativa ou principal de Farioli.
Ganhou porque jogou sem atalhos e um onze que, cada vez mais, tem um novo patrão no meio-campo na âncora-Beni, aquele tipo de pivot que sabe ser trinco quando é necessário. Nestes jogos, é mesmo fundamental.
O Vitória fura na “Final four” feita à medida dos grandes que fariam esse fim-de-semana privado para a elite do futebol português que insiste em querer viver de aparências.






