É um território dominado por dois monstros, Real e Barça, mas, neste inicio de época, existe um aldeia irredutível de futebolistas que aguenta resistir-lhes no topo. O At. Madrid de Simeone, um clube que costuma ser um manual de sofrimento. A pergunta que muitos colocam hoje é, pois, se será capaz este onze colchonero de manter-se na luta pelo titulo espanhol até ao fim?
É muito difícil numa Liga onde o campeão perde tão poucos pontos. Os golos de Falcão devoram a imagem do atual At. Madrid mas o seu onze é muito mais do que isso. Busquemos argumentos para sustentar a hipótese desse sonho.
A equipa está a defender melhor. Quer no posicionamento defensivo (os laterais Juan Fran-Felipe Luís, ambos ofensivos, estão a ficar mais e a calcular melhor os timings de subida), quer na dupla de centrais (Miranda-Godin) forte no jogo aéreo e a jogar simples. Toda este processo defensivo está, porém, assente num duplo-pivô à frente da defesa: Gabi (rotativo na recuperação e saída) e Mario Suarez (mais posicional a marcar). Partindo do 4x2x3x1, Simeone praticamente nunca mexe neste bloco, a base da equipa, zona de recuperação operária.
O plantel tem hoje, porém, mais alternativas que permitem uma rotatividade mais eficaz. As alterações sucedem sobretudo na segunda linha do meio-campo, a zona de construção criativa, onde Arda é a chave a cair nos flancos (sobretudo a esquerda) e procurar movimentos interiores. Depois surgem as rotações: Raul Garcia, entre a direita e o centro, Adrian, destro que gosta de conduzir em trivela desde a esquerda, Cebola Rodriguez, que equilibra também o meio-campo. Koke, aberto na direita, ou Emre, mais fixo no centro, que se estreou contra o Málaga. Perdeu um nº10 puro como era Diego, mas ganhou maior disciplina táctica.
Quando perde a bola, a equipa é muito rápida a recuar para recuperar posições de organização defensiva. Só a partir dai começa a pressionar (não o faz individualmente mal perde a bola, espera reorganizar-se colectivamente, o que é o melhor sinal de inteligência táctica). É quando faz o famoso achique, como lhe chamam os argentinos, que se traduz no encurtar de espaços de execução ao adversário em posse.
Quando Simeone quer evoluir para o 4x4x2, entra Diego Costa para o lado (ou em torno) de Falcão. Aconteceu em três dos sete jogos da Liga. Ganha mais presença na frente, perde equilíbrio-enganche central, a construir e a recuperar, pedindo maior esforço táctico-físico a Gabi, então espécie de segundo pivô box-to-box. No final de todo este mapa de futebol estão, claro, os golos de Falcão.
Simeone e a afición dialogam emocionalmente na perfeição. Partindo desse elo, o onze surge mais personalizado e, sobretudo, mais sereno em campo (sabe…não ter a bola e aguentar ritmos de jogo sem se enervar). Mantem a base da época passada com maior maturidade. Cresceu. Veremos até onde dura esta poção mágica táctica com golos.





