O jogo ao contrário

 “O Moreirense, Vasco Botelho da Costa e a suprema contradição de ser goleado sofrendo três golos quando se estava a atacar”

O futebol está cada vez mais difícil de explicar. Antigamente, atacar tinha a ver com avançados e jogadas perto da baliza adversária.

Hoje, o conceito de ataque (como o de defender) já atravessa o campo todo. Assim, pode-se perceber que após ver o Moreirense oferecer três golos ao Benfica, perdendo a bola quando queria sair a jogar desde trás, trocando-a junto à sua baliza, Vasco Botelho da Costa lamentasse, no fim, que a sua equipa tivesse sofrido esses golos quando estava em… momento ofensivo.

É, aparentemente, como ver o jogo ao contrário, trocando a ordem das balizas, mas nessa interpretação está entender que essa primeira fase de construção já pertence ao momento ofensivo mesmo estando junto à sua própria baliza.

Em rigor teórico, assim é. Em rigor prático, confunde as prioridades de cada sector e dos jogadores que jogam nele e, sobretudo a zona/espaços natural do campo (naturalmente de ação defensiva ou ofensiva)

No limite, o guarda-redes com a bola nos pés já é, nesta visão, momento ofensivo. André Moreira levou ao limite essa ideia e fez um passe de primeira instância (isto é, para o colega mais perto) receber de costas junto à sua área mas o passe não entrou, Aursnes roubou a bola, fez-lhe um chapéu e marcou golo.

Afinal, que equipa estava (mais) em momento ofensivo) nessa altura? O Moreirense ou o Benfica? Na minha visão, na aplicação na prática das incidências do jogo e jogada específica em causa, era a que estava mais perto de, recuperando-a, a ter junto da baliza adversária.

Por isso, chamo a este tipo de situações (como Mourinho também definiu no golo parecido que sofreu frente ao Sporting) de “auto-golos táticos”.

A primeira fase de construção visa exatamente… construir para permitir lograr algo no jogo. Neste caso, construir o momento ofensivo. Podia ser buscando a profundidade ou saindo apoiado entrelinhas mas o que não pode nunca é permitir o inverter do objectivo e colocar, paradoxalmente, o adversário mais perto do golo (nestes casos, mesmo na cara dele).

Os erros dos defesas nessa elaborada primeira fase de construção construir não são, naturalmente, erros defensivos mas em termos de tradução exata do que se passa no jogo e faz os seus diferentes momentos (diferente dos sub-momentos num paralelo para os sub-principios no modelo de jogo) é como virar o jogo de pernas para o ar. Até, suprema contradição, ser goleado sofrendo golos quando se estava a atacar. Não faz sentido.

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