Estão encontradas as oito seleções para os momentos decisivos. É difícil encontrar um contacto de estilo entre elas de forma a definir uma tendência dominante. Em termos de sistemas, nota-se que a devoção pelos sistemas de defesa a “3” preconizados por muitas equipas de clubes não tem igual seguimento nas seleções. A primeira razão tem relação com o facto de serem sistemas muito difíceis de ser rotinados sem existir o mesmo tempo para treinar.
Por isso, desta elite apenas uma das oito baseia-se nessa estrutura: a Holanda de Van Gaal (3x4x1x2) seguindo ditames que já vem do apuramento e, claro, da escola laranja. A França de Deschamps que também o utilizara antes, inverteu a opção, para 4x2x3x1, após viajar por outros sistemas, por ser, sobretudo o melhor forma de encaixar os talentos ofensivos. Ou seja, enquanto uma opção é ideológica, a outra é táctico-circunstancial.
Independente do sistema, todos treinadores assumem mesmo “pacemaker” da equipa.
Em traços gerais, a “linha de 4” baseia sistemas de Brasil, França e Portugal (4x2x3x1), Argentina (4x4x2 mas em 4x3x3 contra Austrália) mais Inglaterra e Croácia (4x3x3) enquanto que o grande “outsider” Marrocos parte da mesma raiz (4x3x3) mas consciente que, neste gau mais elevado de exigência em termos de organização defensiva, tem, para se manter competitivo a este nível, de desenhar-se na maior parte do tempo em 4x1x4x1.
Buscando, as opções que espelham maior fidelidade à estrutura coloco Inglaterra e Croácia como as seleções taticamente mais reconhecíveis em termos de sistema na maioria do jogo (sem tanto da famosa dinâmica transformadora com trocas posicionais).
Se a Croácia já é muito pelo respeito hierárquico ao seu trio do meio-campo (Brozovic-Kovacevic-Modric) mantendo qualidade mas menor disponibilidade física de reação às transições (sobretudo defensiva), o caso da Inglaterra é, talvez, o mais sólido nos diferentes momentos do jogo.
3.
Também Southgate, porém, no inicio do seu reinado na seleção inglesa optou pelos três centrais (no Mundial 2018) mas garantida a organização defensiva soltou o ponto forte do seu atual jogo: a qualidade do meio-campo a nascer nos pés de Rice, pivô-nº6, e com um nº8 para marcar a próxima década (Bellingham) ao lado dum experiente organizador de passe-ruptura (Henderson). Juntos formam a dupla de médios que mais me fascinou até agora no Mundial, viajando sempre juntos em campo atrás e à frente.
No plano das duplas de médios, o caso francês também se destaca porque mantendo Tchouameni (revelação confirmada) a nº6 conseguiu converter Rabiot a um nª8 mais posicional e (correndo menos) não tanto de saída em posse. Dessa forma, Griezmann pode ser nº10/segundo-avançado sem tanta responsabilidade de transição defensiva. A base está, porém, nos “guarda-costas” dos avançados inventores.
Um dos dois médios-centro

Há seleções que, mesmo com um nº8 mais de atenção defensiva, elegem claramente o médio-centro nº6 (pivô) como pilar (referência-base tática) do sistema. Casos de Casemiro (no Brasil), William Carvalho ou Ruben Neves (em Portugal), Brozovic (na Croácia), Rice (na Inglaterra) e dois casos especiais: Amrabat (em Marrocos) por adquirir mais papel de trinco tal a forma defensiva como faz a posição (no 4x1x4x1) e a maior conquista de protagonismo em plena competição, Enzo Fernandez, na Argentina, que, quando entrou, num jogo decisivo contra o México, afastou as anteriores primeiras opções Paredes ou Guido Rodriguez.
Agora, com Enzo a Argentina pode soltar mais De Paul e tem uma saída de bola construtiva-agressiva como nunca antes teve na gestão-Scaloni.
Na Holanda, com um trio de centrais atrás, o nº6 pode, por principio base do sistema, adiantar-se mais. É o que faz De Jong, surgindo muitas vezes na frente. O últimos jogos revelaram, porém, preocupações de cobertura mais fixa nesse espaço e, por isso, saiu o “queimar linhas” de Berghuis ou Koopmeiners para entrar o sentido posicional mais fixo de De Roon.
Independentemente do sistema, qualquer treinador (mesmo em confronto ideológico) percebe que está ali o coração que faz o “pacemaker” do jogo da equipa.





