Pavlidis, Samu, Suarez: O que é um criativo? 

 “O criativo do Benfica é Pavlidis! A equipa muda, e o adversário deixa de estar confortável, quando junta linhas e ele tem a bola nos últimos 25 metros” 

A entrada de um criativo em jogo pode virar o seu curso e isso sucedeu quando o Benfica subiu o bloco e a pressão em campo permitindo que, juntando mais os sectores, esse elemento passasse a receber mais a bola e fazer essa diferença. Assim se percebe quem é o grande criativo deste Benfica: Pavlidis.

Esqueçam só os golos, vejam os apoios, as combinações e a superfície dos passes que abrem espaços (como no golo do 2-2).

O Braga dominara a primeira-parte saindo a construir em “3+2” em cima das dificuldades de marcação encarnada no corredor central (duvidando entre a zonal inicial e depois as referências individuais) que deixavam sempre um jogador livre para receber e sair apoiando (Dorgeles vinha dentro) e outro solto entrelinhas no ataque (o terreno preferido de Pau Vitor).

Quando anulou esse jogo bracarense interior e circular de posse  o Benfica dos “cinco médios” (Pavlidis incluído) tomou conta do relvado. Faltou no assalto final ter Prestianni aberto na faixa (de onde Ivanovic, sem espaço, não tem rasgo nem técnica) em vez de preso no meio. Esses minutos necessitavam de outras últimas palavras de criatividade. Em todo tempo anterior, a de visão colectiva já tinha sido ativada por Pavlidis.

Um jogo que pareceu “dois jogos” tal a forma como se distinguem as fases em que cada equipa dominou/controlou. O empate penaliza (também ambas) os tempos em que não o fizeram.

SAMU . O “Anti-trapalhão”

Falando de criativos, também era dessa espécie de jogador que as bancadas do Dragão pediam vendo como o FC Porto de ataque organizado-posicional sofria para furar o 5x4x1 em bloco-baixo do Aves. Todos olhavam para Mora, claro, mas entalado entrelinhas do “5×4” adversário mal se conseguia mexer.

Acabou por esse rasgo surgir como forma de afirmação “anti-trapalhão” como Samu quis dizer no fim do jogo. Apanhou a bola em zona de definição mas antes teve de quebrar os duros e pesadões centrais do Aves. Ganhou o espaço do metro-quadrado e fez o golo que desbloqueou o 0-0 teimoso.

O FC Porto precisa, sem dívida, de maior criatividade em muitos momentos ofensivos semelhantes. O problema é mais colectivo do que especificamente individual mas quando esta surge do local mais improvável, os jogadores parecem logo de repente outros. Samu nunca desiste de ser… diferente.

Gyokers-Suarez

A mudança “verde 9”

O futebol de Luís Suarez tornou-se uma “porcelana cafetera” no ataque do Sporting. No fim de um ano em que a primeira metade (segunda do campeonato passado) foi marcado por uma “avalanche viking”, Gyokeres,  a segunda (primeira do atual campeonato) espelha o oposto em termos de expressão de nº9.

Onde um arrancava, o outro segura e toca. Suarez, mais do que atacar a baliza, joga primeiro com a equipa. Estilos diferentes que fazem ganhar. Um mais pelo lado individual, outro mais pelo lado coletivo.

Moral táctico-técnico dessa diferença: o Sporting ficou muto mais equipa (com “E” grande).

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