Pulseira de segurança  

“O Benfica-tático sem extremos a encher o corredor central e o Sporting a abrir as jaulas das marcações individuais”  

O Benfica a jogar uma Final em Amesterdão e o Sporting descansado para receber o Brugge.

Mourinho sentiu o desafio e puxou pelo lado mais tático do bloco compacto na maior parte do jogo que, começando cedo a ganhar, ainda mais convidou tacticamente a equipa a jogar atrás da linha da bola em organização defensiva em vez de sair com “gatilhos de pressão”.

Este Ajax está como coletivo em “coma competitivo” mas tinha individualidades que podiam contrariar esse estado. Era um jogo para ser ganho “por dentro”, entenda-se mais pelo corredor central como centro de controlo de recuperações e (ganhando também mais duelos) ter superioridade numérica. Um “quadrado” com um passageiro estranho esporádico.

Em nomes próprios, Enzo (a “6” posicional equilibrador) e Rios (um “8 de pressão e compensação) na primeira linha, e Aursnes, ocupando a meia-direita (dando a ala na profundidade a Dedic) mais Barreiro como um terceiro-médio centro adiantado (espreitando sempre pela fechadura quando podia entrar desde trás na pele atípica de segundo-avançado).

Vindo da esquerda, Sudakov era o quinto passageiro do jogo interior e assim (ficando sempre os laterais Dedic-Dahl abertos) o bloco encarnado fixou o jogo (e o adversário) onde quis.

Como Pavlidis vê a equipa

Ganhou mesmo controlando o sofrimento quando, recuando, deu metros a mais aos médios holandeses que trocaram a bola mais perto da área e, numa tabela, quase marcavam.

Custa ver, neste contexto, como Pavlidis para ver a equipa tem de se colocar de costas na maior parte do tempo mas ele faz isso com a inteligência de quem recua/apoia e avança/remata, alternadamente.

Cada vez mais, porém, é mais um nº9 pivot-ofensivo a olhar para a sua equipa do que um ponta-de-lança a olhar para a baliza.

Está lançado o “Benfica tático” até final do ano (pré-mercado).

O Sporting em jaulas

Tentando colocar onze algemas pelo relvado, o Brugge lançou uma marcação ao homem por todo o campo contra o Sporting. Uma estratégia que tirou autodeterminação à equipa que em vez de correr por onde os seus jogadores queriam (e, quando o fazem com bons passes e avançados velozes, causam perigo) passou o jogo todo a correr atrás de por onde os jogadores leoninos andavam. 

Neste cenário, basta falhar uma dessas referências de encaixe individual na organização defensiva (sobretudo quando exposta a um contra-ataque) para toda a sinfonia de marcações abrir um buraco/cratera. Assim, sucedeu mais de uma vez e os felinos verdes, com Suarez e Trincão abrindo as jaulas, desfizeram a primária intenção defensiva belga.

No resto, o detalhe de ver como aos 18 anos, os joelhos são como de borracha no gesto do remate de Quenda, rodando 90 graus com apoios presos na relva, quase contorcionista, fazendo o 1-0. Estava a assistir ao jogo com um jogador que acabou a carreira há pouco e doeu-lhe, torcendo-se, só de ver.

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