Riqueza do jogo posicional em ataque organizado a manteve a eficácia, mesmo em movimentações diferentes, garantindo a mecânica de jogo leonino
Houve um período, os primeiros quinze minutos da segunda-parte, em que o jogo parecia ir encontrar um caminho diferente.
A reação do Vitória vinha do balneário ao intervalo e encontrara uma avestruz que passou entre as luvas de Rui Silva e a impulsionou em termos de golo mas rapidamente o mesmo pássaro gigante foi até à outra baliza e, batendo antes em Castillo, repôs a vantagem (dois golos) que o Sporting construíra numa primeira -parte completa na qualidade a ter bola, pressionar, recuperar e marcar.
Não era, em tese, um jogo fácil porque o sistema não tinha muitos dos seus habituais amigos de ataque mas a riqueza do jogo posicional em ataque organizado a manter a eficácia, mesmo em movimentações (trocas posicionais) diferentes garantia a mecânica de jogo leonino. Ou seja, na prática, o sistema encontrava novos amigos ofensivos.
A entrada de Ioannidis como segundo avançado na meia-direita ( levando com isso Trincão a jogar mais aberto na linha), Maxi Araújo por dentro como segundo-avançado da meia-esquerda (flanco onde a largura/profundidade era dada pelo lateral Mangas a subir).
Mobilidade colectiva cruzada que teve a máximo expressão nos momentos em que Trincão se soltou, encontrou espaços por dentro , invadiu-os e marcou provando como é o seu … melhor amigo .

A curva de Borja
A bola parecia ter ganhado vontade própria na forma como saíu da bota de Borja e ganhou o efeito perfeito na curva com que foi à procurado ângulo superior da baliza.
O Alverca é uma equipa com uma boa proposta de jogo (no qual gosto cada vez mais de Alex Amorim no centro meio-campo) mas a forma como este meio-campo portista come o jogo a partir da passada, duelo e fuga com bola de Froholdt, marca a diferença. É a melhor imagem dum onze que joga, em muitos momentos, sem dilemas estéticos mas subindo a intensidade para níveis que lhe permitem ter sempre o jogo agarrado pelos colarinhos. Quer quando tem de defender ou em ataque posicional (com o adversário recuado) junta-se e procura jogar em apoios.
A forma como Samu segurou de costas aquela bola na área (com o defesa quase pendurado nele) é a expressão desta ideia que visa, neste tipo de jogos, ter os jogadores mais perto uns dos outros. Noutros, pode procurar mais a profundidade ofensiva.
É o crescimento tático das variantes de Farioli.
Sentir a falta de Barreiro

Um golo de penalty e o jogo decido (e controlado) depois pelo rigor e pela organização defensiva (como disse Mourinho) num confronto tacticamente equilibrado (como disse Hugo Oliveira).
Aqui está o crescimento deste Benfica em defender o resultado atrás da linha da bola, sobretudo nos últimos minutos, onde já perdeu vários pontos em casa. O Famalicão procurou sempre a profundidade mas não a encontrando, não teve, apesar da posse progressiva a meio-campo (com Amorim e Sá), poder de definição nos últimos metros.
Com, bola, o Benfica está mais seguro a circular perto da área adversária mas abrindo com Sudakov e Prestiani buscando desequilibrar desde as faixas, deixou a zona central nas costas do ponta-de-lança entregue a Aursnes. Teve sempre apoios e coberturas certas nessa zona mas sentiu-se que Barreiro trás mais em termos ofensivos nesse espaço ao também saber romper para aparecer a finalizar.
Ou seja, á equipa dos cinco médios faltou hoje o que, mesmo que tantos insistam (mal) em vê-lo como um “trinco adiantado”, é o com mais vocação ofensiva dentro do perfil pica-pedra. Sudakov continua sem encontrar a mudança de velocidade certa (“timing” e espaço). Outro jogador (depois de Rios) para Mourinho trabalhar em especificidade.





