No fim, Luís Henrique nem percebia o que acontecera. Limitou-se a insultar o futebol. É pouco, como análise. Luis Suarez e a estratégia leonina tinham-no enganado
Há uma razão para tudo. No futebol também mas, por vezes, há algo mais transcendental. O ponta-de-lança é dos homens em campo que mais sente isso. Nos pitons da bota que escorrega quando vai marcar um penalty até estar sitio certo onde a bola vai parar (mais do que procurar … encontrar). Nesta semana de Champions, Pavlidis e Luis Suarez viveram esses sentimentos tão opostos.
O Benfica conseguiu durante muito tempo segurar o jogo em Turim e quando parecia que podia partir para o ganhar, abriu pelo meio. Uma simples mudança do treinador italiano, a careca sábia de Spalletti, ao mudar um elemento. Mckennie passou para médio-centro ofensivo, Conceição entrou para ala, e fez dançar o duplo-pivot encarnado até então imperturbável.
Os centrais (mais Tomás Araújo) foram atraídos e, em dois lances, a Juve entrou desde trás mesmo nesse coração central. Mourinho reagiu, meteu Enzo e as marcações táticas estabilizaram mas, nessa altura, já estava 2-0. Bastara o poder da “razão tática” estar curtos instantes do outro lado para perder o jogo.
Portas de casa fechada
O Sporting percebeu contra quem estava a jogar e, perante a máquina de pressão alta/roubo de bola do PSG, teve de recuar e ficar em bloco-baixo. Porque não conseguia sair apoiado (só batendo longo, fora do seu estilo) e porque estrategicamente era o melhor (para defender bem e esperar um momento de exposição espacial para o contra-ataque). E, assim, vimos a estranha beleza do bloco-baixo.
Nessa organização defensiva tão recuada, o onze verde nunca se desposicionou. Basculou numa “linha de 5” atrás sem dançar perante circulação francesa da bola de flanco para flanco, mas raramente lhes deu espaços para rematar. Não era tacticamente bonito, mas era o mais indicado. Jogar para sobreviver.
Quando, já na parte final do jogo, os espaços começaram a abrir e Catamo subiu mais para o ataque (ficando Maxi a fazer a tal “linha de 5” atrás) pressentiu-se que algo contrário à corrente do jogo podia suceder. Foi quando, em três lances, Suarez apareceu.
No primeiro, ainda chegou um segundo tarde, mas nos outros dois estava no local certo, com o “sétimo sentido do ponta-de-lança” para encontrar a bola que, com execução técnica perfeita (pé e cabeça) fazer dois históricos golos verdes.

O jogo ao contrário
Foi, ao mesmo tempo, no plano tático, o jogo mais contranatura como o mais indicado para este Sporting.
Nessa capacidade de adaptação às realidades que adversário impunha, pegando na bola como fosse propriedade privada sua, só restava defender/fechar bem os caminhos para as casas táticas perto da sua baliza e olhar de longe a outra. Aquela onde o instinto com técnica dum “cafetero nº9” surgiu para virar o jogo ao contrário.
No fim, nem Luís Henrique percebeu o que acontecera. Limitou-se a insultar o futebol. É pouco, como análise.





