No um-para-um, o FC Porto ganhou um jogo que o Vitória não perderia no onze-para-onze. Do rasgo-Pietuszewski ao penalty anti-cardíacos de Varela
Sempre foi um futebolista com técnica mas de processos simples a quem às vezes apontam faltar arrojo com bola e demasiada preocupação em só defender. Descontando que esta última acusação resulta das atuais imposições do treinador (que lhe pede para recuar de médio para quase terceiro central na organização defensiva) todo o resto é a melhor consciência dum médio que sabe só dever ter a bola nos pés o tempo estritamente necessário.
Varela é esse tipo de “6”. Dessa forma, com segurança fez o passe que tirou a equipa do sufoco-bloqueio de criar oportunidades e isolou Borja (atirou ao poste) e assumiu depois um penalty a acabar o jogo. Marcou num jeito de fazer parar corações. Um remate-toque suave para a bola entrar mansamente após um saltinho-simulação que sentou o guarda-redes.
“Já bati alguns assim antes”, disse no fim meio sorridente envergonhado. Em rigor, nem era ele que devia bater (sem Samu, estava destinado William) mas ele disse que estava com confiança e pegou na bola. Estava mesmo.

O FC Porto ganhava, assim, um jogo em que o Vitória foi mais perigoso, mais ofensivo, mais agressivo, mais quase tudo, durante todo o tempo. O facto de com “tanta coisa mais” não ter antes marcado tem uma razão que faz a base desta campanha sensacional portista de 18 jogos, 17 vitórias, e só quatro golos sofridos: a organização defensiva em todo o seu processo mais um guarda-redes, Diogo Costa de borracha, que vai buscar bolas quase impossíveis.
Durante toda a primeira-parte, mesmo quando com bola queria baixar o ritmo de jogo, a intensidade de recuperação e saída agressiva para o ataque de todo aquele “mundo branco” vitoriano chefiado por um trio de médios em três linhas (de trás para a frente, Beni, Gonçalo, Samu) comia todos os duelos e espaços. Com o tal nº9 girafa Ndoye e alas truculentos (que ginga tem Saviolo) dominou todo relvado.
Esta equipa do Vitória atingiu segundo Luís Pinto a máxima dos melhores grupos: “Faz o melhor que podes com o que tens, esteja onde estiveres”. Ou seja, mais do entrar pelo lamento do que perdeu, potenciar ao máximo todos os que ficaram e agora aparecem.
O “detalhe” que, disse, o fez perder, já está nos livros de magia do futebol. Foi a entrada, no adversário, dum ala revelação, Pietuszewski, que no um-para-um ganhou um jogo que nunca perderia no onze-para-onze.





