A equipa que ganha 18 jogos em 19, é a que nas últimas épocas, melhor defende em linhas mais baixas por opção de estratégia e modelo. Dá que pensar !
Parecia ir ser uma noite assombrada quando Luis Suarez falhou o cabeceamento naquele último lance mas como o ombro acompanhou o gesto técnico do corpo, quando a bola lhe bateu até ganhou mais efeito e entrou mesmo no ângulo. Parecia destino. Em Arouca, o Sporting salvava os três pontos quando já sentia a ameaça dum fosso a cavar-se para o primeiro lugar.
A resposta surgiu dias depois na melhor fórmula do “FC Porto das transições rápidas”. O Gil Vicente tem a ideia mais amiga do bom futebol e procura estender-se para jogar no campo todo. O problema é que “o campo todo” no Dragão é mesmo muita relva.
E é isso que este FC Porto que tantas vezes bloqueia em “ataque posicional” quer para encontrar os espaços para ataques Rápidos em progressão de trás para a frente, que de outa forma não teria. Por isso, logo no minuto inicial, Borja Sainz esteve perto, perto de marcar. Sucederam-se outros lances até o “onze galo” estabilizar a relação entre sectores pós-perda da bola a defender e conseguir dividir tacticamente o jogo com a maturidade tática mais indicada.
Quando o golo portista surgiu num penalty sentiu-se que, a partir daí, entraria em campo a outra face da “fórmula-farioliana” na forma da organização defensiva sólida e suportada na segurança confiante de toda a equipa quando tem de baixar atrás da linha da bola. A equipa que ganha jogos atrás de jogos neste campeonato é aquele que desde as últimas épocas, melhor defende em linhas mais baixas por opção de estratégia e modelo. Dá que pensar no que faz hoje a competitividade tática mais eficaz.
Entretanto, por entre este FC Porto de ideias feitas, até se viu Samu a dar toques de calcanhar como apoios de passe e um central de 41 anos a jogar de “cadeira” ou levantando-se para pegar na bola, Thiago Silva, outra voz da segurança adulta (balneário e relvado, como até se viu na análise completa que fez logo o fim na “flash-interview”).
É uma equipa com uma auto-segurança em todos os seus processos, o que lhe permite viver tranquilamente nos momentos mais difíceis que cada jogo tem. Contra este Gil, isso notou-se mesmo de ver a bola no poste que daria o 1-1. No limite da confiança, até acho que os jogadores sentiram-se como também isso fizesse parte do plano de jogo. Até onde pode tudo isto ir sem uma única fenda pontual?
Conhecendo Luís Guilherme

Falando de Luís Guilherme, Rui Borges falou do conhecimento mútuo equipa-jogador para o inserir melhor. O jogo em Arouca traduz esse processo nas mudanças feitas.
Ele é mais um extremo que gosta de jogar de “pé trocado” (canhoto na direita a puxar para dentro) mas como esse flanco é de Catamo, foi metido na esquerda. Queria fazer esses mesmos movimentos diagonais, mas faltava-lhe o melhor pé. Quando flectia, ia para o meio, não para a área (e ficava muito recuado, quase interior). A meio da primeira-parte, foi para a direita. Melhorou um pouco mas a equipa piorou, porque Catamo foi para o meio, saindo do lugar onde marca a diferença, e Trincão descaiu à esquerda.
A segunda-parte repôs as posições originais mas Luís Guilherme só conseguiu jogar bem quando lhe pediram movimentações diferentes. Em vez de buscar diagonais para as quais faltava o melhor pé a flectir, passar a jogsr como extremo à moda-antiga. Um canhoto na esquerda a ir para cima do lateral, buscar um-para-um ou tabelas e ser vertical na profundidade a ir à linha e centrar/meter para a área. Fez logo várias jogadas de perigo nesse estilo.
Por fim, equipa e jogador encontravam-se. Um conhecimento tático que não residiu em mudar de posição mas sim em mudar de movimentação.





