Dois cubos de gelo

O frio e a chuva da Europa nas exibições de FC Porto e Braga. A solução entre fazer rabiscos no ataque e meter, por fim, um extremo de inicio

Quando o plano falha e a reação não produz efeitos, o último recurso é rasgar os desenhos táticos mais pensados e fazer rabiscos no ataque com mais gente possível. Em Plzen, com as melhores ideias ofensivas congeladas com menos sete graus, o FC Porto caiu nessa última carruagem em termos de procurar chegar ao golo.

A questão do “último terço” é um problema neste atual FC Porto. Viu-se em Plzen, como contra o Vitória ou o Santa Clara. A equipa tem o tal bloqueio em “ataque continuado-posicional” e precisa abrir melhor os olhos para ver espaços de último passe. O elo de ligação entre a produção de jogo desde trás e a baliza.

Assim, até Bednarek passou de defesa-central para ir de cabeça na frente de ataque, onde já estavam os metros altos esguios de Denis Gul e, assim, nesse barulho criado na área, chegou o golo dum empate que traduz as falhas exibicionais da equipa.

Mora e William tinham a missão de criar coisas diferentes (imaginação um-para-um) mas a bola era um cubo de gelo nos pés de qualquer um deles. A circulação melhorou com Pepê e Gabri Veiga, através de melhor posse segurando o jogo e dando mais critério aos movimentos e, sobretudo, passes, mas o bloco-baixo checo (toda a segunda-parte em inferioridade numérica) foi um iceberg. Só abriu uma fenda no fim

O “chip” competitivo portista está todo concentrado no campeonato mas a última coisa que a equipa precisava era de mais dois jogos de play-off nesta Liga Europa.

O Braga com um extremo

Num jogo muito longe do estímulo de intensidade que sente no “habitat inglês”, o Nottingham Forest gelou em Braga. Conseguia ter boas iniciativas ofensivas mas não sentia o clima europeu.

Com a frieza de aproveitar o seu momento no jogo, o Braga defendeu um penalty e encontrou-se com um auto-golo. Num abrir e fechar de olhos, estava a ganhar numa exibição que mostrara os mesmos dilemas das anteriores mas que sentiu outra velocidade e profundidade ofensiva com a entrada dum extremo puro desde o inicio.

É o que traz Gabri Martinez numa equipa que, em geral, tem a bola durante muito tempo mas que tende a ficar com ela num quadrado do central (o jogo interior fechado sem explorar as faixas). Isto é, em todos os jogos sinto o mesmo: além da largura, o jogo bracarense pede mais profundidade “por fora”.

É um 3x4x3 assimétrico que defende, preferencialmente numa “linha de 4” mas não tem laterais abertos (Vitor Gomez joga mais “por dentro” e na outra faixa é um defesa para fechar) pelo que a necessidade do extremo torna-se evidente.

O anterior jogo, em Tondela, tinha sido um caso desses e, embalado pela solução que o factor-Gabri deu no final, Vicens prolongou-a neste confronto europeu. Percebe-se, porém, rapidamente, que a equipa não está rotinada/treinada para isso.

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